O que teria tua voz, moça, que me parece antiga...
O timbre de alguém que um dia amei,
não sei...
Em outra vida!
Escuto-te e viajo...
A lugares que nunca vi!
Engraçado... e nesse estado,
parece que já estive ali...
Escuto-te e pronto!
Treme minha alma e coração...
Parece que já a escutei em alguma
outra dimensão!
Às vezes, nem preciso escutar...
Parece que a ouço me chamar!
Quando balançam as rosas ao vento...
Estaria eu divagando ou bobeiras imaginando,
neste fugaz pensamento?
Já respondi ao nada algumas vezes...
Escutei apenas o eco das paredes!
Tive a nítida impressão...
Que tu me chamavas de algum lugar,
sem que eu soubesse a direção!
Seria pelos pinheiros chorões?
Aqueles que assoviam ao vento...
Quando não trazem canções parecendo
tristes lamentos?
Amo tua voz...
Muito embora eu nem conheça o teu rosto
e já tenha pedido a minha alma que te buscasse!
Seria também conhecida, quando meus olhos
pousassem em tua face?
De alguém que fora minha um dia
ou apenas de uma amiga...
Amo a tua voz!
Ainda se declamas minha poesia...
Aquelas em que falo de algum amor,
perdidos em algum dia!
Amo a tua voz!
Tão antiga e conhecida...
Traz-me dos olhos imensa foz,
de minhas lágrimas vertidas!
Amo a tua voz!
Será que estaria enganado?
Seriam ecos parecidos a de alguém,
que deixei em algum passado?
Sei que amo a tua voz!
Em minha solitude e saudade...
Fragmento perdido no presente,
talvez de um passado onde fomos nós!


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declamação: Anna Müller